04 out 2017

Indústria mineira deve crescer 0,3%

Com a melhora nos indicadores, Fiemg aumenta a projeção do faturamento para este ano

A indústria mineira pode ter um crescimento maior em 2017. A melhora em indicadores do setor, como horas trabalhadas e utilização da capacidade instalada, combinada com o aquecimento dos segmentos automotivo e de bens de capital e com o recuo de índices econômicos como inflação, taxa de juros e desemprego, levou a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) a rever a sua projeção para este ano.

De acordo com a entidade, o faturamento real da indústria de Minas deve aumentar em torno de 0,30% em 2017, valor 0,1 ponto percentual (p.p.) maior do que o apontado na previsão anterior (0,20%). O novo número foi divulgado ontem, durante o lançamento da pesquisa Indicadores Industriais de Minas Gerais (Index) do mês de agosto.

O superintendente de Ambiente de Negócios da Fiemg, Guilherme Veloso, destaca que, apesar de alguns dados do setor ainda serem negativos, as quedas vêm gradativamente se tornando menos intensas. Segundo o executivo, está cada vez mais evidente a existência de um processo consistente de retomada da atividade em Minas Gerais e no País.

“Temos de reconhecer que a política macroeconômica do governo adotada desde meados de 2016 rapidamente repercutiu positivamente na economia. A gente conseguiu reduzir a inflação a níveis que foram surpresa até para o próprio mercado. Isso permitiu um processo de redução mais acelerada da taxa de juros, que vai permanecer em queda ao longo dos próximos meses, e tem favorecido portanto à retomada do consumo, do emprego, e, consequentemente, à reativação da economia”, avalia Veloso.

A produção da indústria mineira avançou em agosto, como mostram os indicadores de horas trabalhadas e de utilização da capacidade instalada (UCI) do setor. O crescimento dos dois índices no oitavo mês foi influenciado principalmente pelo aumento na fabricação do segmento de veículos automotores. Na comparação com julho, o tempo de trabalho na produção subiu 1,3%, e frente a agosto de 2016 se manteve estável (0,0%). Já a UCI foi 0,2 p.p. maior no confronto com julho, fechando agosto em 78,2%.

Recuperação – O aquecimento na indústria automotiva em Minas Gerais está atrelado principalmente às exportações para países da América Latina, com destaque para a Argentina, que está em fase de recuperação dos níveis de atividade econômica. O crescimento da demanda interna nos últimos meses também tem surpreendido o segmento.

“A retomada da indústria automotiva veio principalmente das exportações para a América Latina – Argentina, México, Bolívia e Colômbia. A grande surpresa é que não só as exportações permanecem em um crescimento positivo, mas a gente percebe que as vendas ao mercado interno retomaram, sinalizando e confirmando que a retomada do emprego, a redução da taxa de juros, a melhoria da renda das famílias e o menor endividamento têm favorecido essa questão”, explica o superintendente de Ambiente de Negócios da Fiemg.

Dados do Index indicam que, em agosto, a massa salarial em Minas Gerais subiu 0,7% em relação a julho e 1,5% frente a igual período de 2016. No mesmo caminho, o rendimento médio real foi 0,3% superior a julho e 7,2% maior do que há um ano.

A recuperação da indústria mineira em 2017 também vai sendo puxada pelos segmentos de bens de capital, alimentos, metalúrgico e extrativo, que têm sido os responsáveis pelo maior número de contratações do setor. Veloso pondera que a evolução na indústria de máquinas e equipamentos é, aliás, um importante sinal de que os investimentos começam a retornar ao País.

Em agosto, o faturamento real da indústria no Estado subiu 4% em comparação com igual mês do ano passado e recuou 1,1% frente a julho. O emprego reduziu 5,4% no confronto anual e 0,2% em relação a julho. No acumulado do ano, a maior parte dos indicadores industriais ainda são negativos. Porém, em um ritmo de queda menos intenso do que de janeiro a agosto de 2016.

Riscos – De acordo com o superintendente Guilherme Veloso, a situação está favorável ao setor, mas o maior risco para a continuidade da retomada da indústria mineira e brasileira hoje pode ser o cenário político e fiscal do País.

“O risco está de fato no cenário político, porque ainda temos um processo de discussão quanto à permanência do próprio governo Temer e temos risco de radicalismo no processo eleitoral de 2018. E nesse cenário de baixa capacidade de articulação política, dificilmente a gente pode pensar em medidas como a reforma da Previdência, que seria essencial para o equilíbrio fiscal do País”, justifica.

Fonte: http://diariodocomercio.com.br

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